Em
20 de novembro, o Brasil recorda a memória de Zumbi dos Palmares,
símbolo da resistência negra na luta pela libertação. Desde 1978, o
Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial batizou a data
como o Dia Nacional da Consciência Negra em substituição ao 13 de Maio,
que é considerado como o Dia das Raças.
A seguir, a íntegra do texto:
20 de novembro: Dia da Consciência Negra
Aos poucos os eventos gaúchos atraíram a
atenção da mídia nacional e de grupos negros de outros Estados, que
também passaram a adotar o 20 de novembro. Finalmente, em 1978, o
Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial adotou a data,
batizando-a de Dia Nacional da Consciência Negra. Mais recentemente os
poderes públicos abraçaram a ideia, dando origem ao feriado de amanhã,
celebrado em muitas cidades do País.
Em uma dissertação de mestrado
apresentada no programa de pós-graduação em história da PUC de Porto
Alegre, o jornalista negro Deivison Moacir Cezar de Campos sugere que os
rapazes do Palmares foram subversivos. Porque fizeram um contraponto ao
discurso oficial do regime militar, que exaltava as igualdades
proporcionadas pela democracia racial e via no debate sobre o tema um
fator de distúrbio. “Eles buscavam o reconhecimento das diferenças
étnicas e das condições desiguais de acesso à cidadania e a integração
socioeconômica”, diz a tese. E mais: “Colocaram-se contra o oficialismo
ao defenderem a substituição de 13 de Maio, o Dia das Raças, pelo 20 de
Novembro, Dia do Negro; ao proporem uma revisão da historiografia; ao
afirmarem um herói não reconhecido.”
Hoje, muitas conquistas das comunidades
negras estão presentes em nossa sociedade. Existem desafios que vamos
enfrentando com participação de grupos organizados ou não. A Pastoral
Afro-brasileira, presente em todo o Brasil, celebra mas também está
empenhada em enfrentar os desafios presentes no mundo. A Escravidão
hoje atinge 29 milhões de trabalhadores em todo o mundo. Um relatório
recém-divulgado pela fundação Walk Free aponta que 29 milhões de pessoas
no mundo ainda trabalham sob o regime de escravidão.
Para o cientista político Leonardo
Sakamoto, que é coordenador da ONG Repórter Brasil e membro da Comissão
Nacional para Erradicação do Trabalho Escravo, a escravidão ocorre
quando a dignidade ou a liberdade são aviltadas. Condição degradante é
aquela que rompe o limite da dignidade. São negadas a essas pessoas
condições mínimas mais fundamentais, colocando em risco a saúde e a
vida.
A Mauritânia ocupa o primeiro lugar do
ranking de escravidão global, que analisou 162 países e leva em
consideração o casamento infantil e os níveis de tráfico humano. Haiti,
Paquistão e Índia vêm em seguida. No Brasil, 125 anos após a abolição da
escravatura, milhares de pessoas ainda são submetidas a trabalhos em
situação degradante. No entanto, há avanço na erradicação da prática. A
primeira política de contenção do trabalho escravo é de 1995 e, de lá
para cá, 45 mil pessoas foram libertadas de locais onde havia exploração
desumana da mão de obra. Tramita no Congresso Nacional uma Proposta de
Emenda Constitucional para endurecer a lei. É a PEC do Trabalho Escravo e
prevê o confisco de imóveis em que o trabalho escravo for encontrado e
sua destinação para reforma agrária ou para o uso habitacional urbano.
Lucrativa, a escravidão moderna
movimenta mais de US$ 32 bilhões, segundo a Organização Internacional do
Trabalho. Estimativas da OIT também apontam que há 5,5 milhões de
crianças escravas no mundo.
Como muito bem falou o Papa João Paulo
II, aos afro-americanos, em 1992, em Santo Domingo: "A estima e o
cultivo dos vossos valores Afro-americanos, enriquecerão infalivelmente a
Igreja."
Em outras palavras, a novidade que a
Igreja quer e merece é a inclusão em sua Ação Evangelizadora, das
riquezas culturais e espirituais que emanam do Patrimônio africano e
afro-descendente.
O processo de Cidadania do povo negro é
uma dimensão essencial da vida e da Missão da Nossa Igreja Católica
Apostólica Romana. A Igreja Católica no Brasil, fiel à missão de Jesus
Cristo, está presente nesses importantes acontecimentos por meio de seus
representantes e de suas orações. Exorta a todo o Povo de Deus a
colocar-se a serviço da vida e da esperança, "acolher, com abertura de
espírito as justas reivindicações de movimentos - indígenas, da
consciência negra, das mulheres e outros - (...) e empenhar-se na defesa
das diferenças culturais, com especial atenção às populações
afro-brasileiras e indígenas" (CNBB, Doc. 65, nº 59).
Pastoral Afro-brasileira da CNBB
fonte: site da cnbb
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